segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Entrevista com Igor Normando

Igor Normando (21), um dos fundadores do Diretório Central dos Estudantes da Faculdade do Pará, Vice-presidente da União Acadêmica do Pará (UAP) e estudante do 4º período de graduação em Direito da FAP.

Flávia Dias: Igor, nos últimos meses tem sido bastante comentada a ausência do Diretório Central dos Estudantes na Faculdade do Pará. Você como membro e fundador desse DCE, pode explicar o que houve?
Igor Normando: É bem verdade que nunca houve um DCE, nem menos atuante ou mais atuante. Nunca houve, em si, um DCE!
Em uma assembléia geral organizada pela UNE (União Nacional dos Estudantes), vários estudantes de diferentes cursos da faculdade montaram uma chapa bem plural e democrática e então fui convidado, por aclamação, para assumir a vice-presidência do DCE. A chapa era composta por 15 a 20 alunos de diferentes cursos e fomos chapa única. Era a chapa de construção porque tínhamos o dever de elaborar o estatuto e "organizar a casa" para a próxima gestão e representar a FAP no congresso da UNE em Brasília. Digamos que fomos para o congresso da UNE unidos e representamos muito bem a faculdade.
O DCE foi fundado no final de junho de 2007, o congresso ocorreu em julho de 2007 e em agosto de 2007, a presidente do DCE renunciou ao cargo por trancar a faculdade. Eu, enquanto vice-presidente da UAP, coloquei aos demais participantes do DCE que dificilmente teria tempo para organizar o DCE, pois a UAP já ocupava meu tempo e por ser uma entidade que engloba todos os estudantes do estado do Pará eu não poderia olhar apenas para o meu umbigo.
O DCE então resolveu se desfazer antes mesmo de ser lançado. Ainda conseguimos fazer um debate sobre movimento estudantil com uma grande participação dos alunos. Cheguei a levar várias idéias para a coordenação e não queria deixar o DCE sem gestão, por isso por várias vezes tentei, nos eventos da faculdade, sacudir os alunos chamando para participar e ás vezes até pegando pesado nos discursos em detrimento da falta de participação dos alunos que gostavam de criticar e cobrar, mas não queriam participar.


Flávia Dias: Então quando você e os outros membros trancaram a matrícula e deixaram temporariamente a faculdade, não ficou nenhum responsável por isso?
Igor Normando: Não tive tempo de procurar um substituto, até porque o DCE não é um ou dois alunos, é uma gestão, é um grupo que represente os alunos.
Definitivamente não dá para fazer sozinho. Temos projetos pessoais, acadêmicos e no meu caso tinha a UAP e outras atividades comunitárias. Ser do DCE não é apenas falar nos eventos, é viver o dia-a-dia da faculdade!

Flávia Dias: E a coordenação da FAP foi informada do abandono do diretório?Qual posicionamento tomou?
Igor Normando: Na verdade já não havia Diretório e com a desistência dos alunos houve uma tentativa de reorganizar o Diretório por iniciativa minha e do professor Arroyo, que sempre deu muito apoio e da direção por parte da Betânia e do Ricardo Gluck Paull. Mas como tive que me ausentar da faculdade, no segundo semestre de 2008, o projeto ficou parado e o DCE sem direção, o que me deixou triste, pois apesar de não ser um projeto meu, não gostaria de ter deixado sem gestão.

Flávia Dias: Quais as funções de um DCE e qual o campo de atuação e o foco da entidade?
Igor Normando: Um DCE é responsável por defender os direitos dos estudantes de todos os cursos da faculdade, elaborar e promover atividades de diferentes âmbitos na comunidade acadêmica e ajudar a fomentar os Centros Acadêmicos dos cursos, além de organizar os debates do movimento estudantil.

Flávia Dias: Bom, você já deve ter sido informado que alguns cursos estão se organizando para formar os Centros Acadêmicos, inclusive já existe um CA de comunicação social. O que você acha dessa atitude?
Igor Normando: Acho formidável! Essa iniciativa já devia ser tomada faz tempo. Inclusive me deixo à disposição para ajudar no que for preciso! Aliás, deveríamos ter formado primeiro os CA's para depois fundarmos o DCE, isso daria sustentabilidade política para o Diretório.


Flávia Dias:
Apesar desses pequenos conflitos de ausência do diretório central que levou os estudantes a formarem um centro acadêmico, como você vê a possível relação entre as duas entidades?
Igor Normando: Acho natural com a criação dos Centros uma nova eleição para o DCE, onde quero participar como voluntário. Acho que esses estudantes estão com todo o gás e merecem ir adiante à luta que estão travando! Quero poder ajudar sempre.

Flávia Dias: Você tem alguma pretensão futura de retornar ao Diretório Central dos Estudantes ou de até mesmo integrar no Centro Acadêmico de Direito?
Igor Normando: Não. Já cheguei onde tinha que chegar dentro do Movimento Estudantil. Fui presidente de Grêmio e Diretor da Entidade dos Estudantes Secundaristas no Ensino Médio, organizei as passeatas por um ensino de qualidade que reuniu cerca de três mil estudantes nas ruas, fui delegado no congresso da UNE de 2007 e cheguei a Vice-presidência da maior entidade que representa todos os estudantes do estado do Pará. Se tiver algo dentro do Movimento que teria vontade de ter como plano futuro era ser da UNE, mas pretendo ajudar sempre, continuo acreditando no Movimento Estudantil e na sua força!
Sempre estarei metido nas eleições, seja na FAP, na UNE, em Belém ou, até mesmo, no Brasil. Política é um vicio e quando se gosta não tem como largar! Quero poder militar sempre!

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