terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Entidades estudantis surgem nas faculdades particulares

Após 6 anos de fundação da Faculdade do Pará (FAP), surgem as primeiras entidades estudantis dentro da instituição. Trata-se da fundação de um centro acadêmico (CA) do curso de comunicação social devido à ausência de um Diretório Central dos Estudantes.

No último dia 19 de novembro foi fundado o Dracom (diretório acadêmico de comunicação) e foi escolhida uma comissão provisória que vai procurar desenvolver ações como oficinas e palestras, além de procurar levar até a direção da escola os problemas do curso. Segundo a cartilha da UNE (União Nacional dos Estudantes), o CA é o canal mais próximo ao estudante de cada sala de aula; é responsável por realizar discussões com os alunos do curso para encontrar soluções para os problemas enfrentados; é um fiscalizador das atividades da instituição.

O grupo de alunos que forma a atual comissão provisória do CA de comunicação alega vários problemas no curso e necessidades que foram sentidas dentro da faculdade, de modo geral. Ao recorrem ao DCE descobriram que a antiga chapa de 2007 havia se desfeito e a entidade só existia no papel. “Não sabia que existia um DCE. Sei dos representantes de turma que, por intermédio, podemos manter contato com os superiores da faculdade.” comentou Cláudia Haase (19), estudante do 2º semestre de jornalismo noturno.

Em entrevista concedida a este blog, Bruno Carachesti, presidente do Dracom, falou sobre o surgimento da entidade: “Assim surgiu pela necessidade mesmo que eu senti em relação á faculdade, das deficiências. Fui Plantando isso na cabeça de amigos e tudo (...) movimento sem mobilização para uma melhoria de educação e uma educação de qualidade.”. Os alunos alegam falta de aulas práticas, escassez de recursos de audiovisual disponíveis e problemas na administração como: setor financeiro, núcleo de apoio pedagógico e sistema online. “Umas carências básicas no curso e mais algumas. O nosso curso de comunicação está abandonado. O meu segundo semestre foi muito louco e agora tá avacalhado!” reclama Breno Borges (20), estudante do 4º semestre de publicidade e propaganda matutino.

Um dos fundadores do DCE, Igor Normando, comentou sobre o “diretório fantasma”: “Era a chapa de construção porque tínhamos o dever de elaborar o estatuto e ´organizar a casa´ para a próxima gestão (...) a presidente do DCE renunciou ao cargo por trancar a faculdade. Eu coloquei aos demais participantes do DCE que dificilmente teria tempo para organizar o DCE, pois a UAP já ocupava meu tempo...”. Os membros do diretório central se dispersaram e, consequentemente, o órgão sumiu de cena antes mesmo de realmente começar a atuar. “...Ainda conseguimos fazer um debate sobre movimento estudantil com uma grande participação dos alunos. Cheguei a levar várias idéias para a coordenação e não queria deixar o DCE sem gestão, por isso por várias vezes tentei, nos eventos da faculdade, sacudir os alunos chamando para participar e ás vezes até pegando pesado nos discursos em detrimento da falta de participação dos alunos que gostavam de criticar e cobrar, mas não queriam participar.” disse Igor Normando sobre o seu tempo de atuação.

Pelo que se sabe os outros cursos como direito, administração e contábeis estão se organizando para formarem seus respectivos CA´s e quem sabe pode atuar juntos nesse movimento estudantil. “...é a forma que os alunos podem se manifestar...” afirma Claúdia Haase. Um grupo maior mais heterogêneo de alunos também estão se reunindo para formar uma comissão pró-DCE que pretende preparar as eleições de um diretório central dos estudantes em 2009. Até o fechamento desta matéria a assessoria acadêmica da FAP não foi encontrada para falar sobre o assunto.



segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Entrevista com Igor Normando

Igor Normando (21), um dos fundadores do Diretório Central dos Estudantes da Faculdade do Pará, Vice-presidente da União Acadêmica do Pará (UAP) e estudante do 4º período de graduação em Direito da FAP.

Flávia Dias: Igor, nos últimos meses tem sido bastante comentada a ausência do Diretório Central dos Estudantes na Faculdade do Pará. Você como membro e fundador desse DCE, pode explicar o que houve?
Igor Normando: É bem verdade que nunca houve um DCE, nem menos atuante ou mais atuante. Nunca houve, em si, um DCE!
Em uma assembléia geral organizada pela UNE (União Nacional dos Estudantes), vários estudantes de diferentes cursos da faculdade montaram uma chapa bem plural e democrática e então fui convidado, por aclamação, para assumir a vice-presidência do DCE. A chapa era composta por 15 a 20 alunos de diferentes cursos e fomos chapa única. Era a chapa de construção porque tínhamos o dever de elaborar o estatuto e "organizar a casa" para a próxima gestão e representar a FAP no congresso da UNE em Brasília. Digamos que fomos para o congresso da UNE unidos e representamos muito bem a faculdade.
O DCE foi fundado no final de junho de 2007, o congresso ocorreu em julho de 2007 e em agosto de 2007, a presidente do DCE renunciou ao cargo por trancar a faculdade. Eu, enquanto vice-presidente da UAP, coloquei aos demais participantes do DCE que dificilmente teria tempo para organizar o DCE, pois a UAP já ocupava meu tempo e por ser uma entidade que engloba todos os estudantes do estado do Pará eu não poderia olhar apenas para o meu umbigo.
O DCE então resolveu se desfazer antes mesmo de ser lançado. Ainda conseguimos fazer um debate sobre movimento estudantil com uma grande participação dos alunos. Cheguei a levar várias idéias para a coordenação e não queria deixar o DCE sem gestão, por isso por várias vezes tentei, nos eventos da faculdade, sacudir os alunos chamando para participar e ás vezes até pegando pesado nos discursos em detrimento da falta de participação dos alunos que gostavam de criticar e cobrar, mas não queriam participar.


Flávia Dias: Então quando você e os outros membros trancaram a matrícula e deixaram temporariamente a faculdade, não ficou nenhum responsável por isso?
Igor Normando: Não tive tempo de procurar um substituto, até porque o DCE não é um ou dois alunos, é uma gestão, é um grupo que represente os alunos.
Definitivamente não dá para fazer sozinho. Temos projetos pessoais, acadêmicos e no meu caso tinha a UAP e outras atividades comunitárias. Ser do DCE não é apenas falar nos eventos, é viver o dia-a-dia da faculdade!

Flávia Dias: E a coordenação da FAP foi informada do abandono do diretório?Qual posicionamento tomou?
Igor Normando: Na verdade já não havia Diretório e com a desistência dos alunos houve uma tentativa de reorganizar o Diretório por iniciativa minha e do professor Arroyo, que sempre deu muito apoio e da direção por parte da Betânia e do Ricardo Gluck Paull. Mas como tive que me ausentar da faculdade, no segundo semestre de 2008, o projeto ficou parado e o DCE sem direção, o que me deixou triste, pois apesar de não ser um projeto meu, não gostaria de ter deixado sem gestão.

Flávia Dias: Quais as funções de um DCE e qual o campo de atuação e o foco da entidade?
Igor Normando: Um DCE é responsável por defender os direitos dos estudantes de todos os cursos da faculdade, elaborar e promover atividades de diferentes âmbitos na comunidade acadêmica e ajudar a fomentar os Centros Acadêmicos dos cursos, além de organizar os debates do movimento estudantil.

Flávia Dias: Bom, você já deve ter sido informado que alguns cursos estão se organizando para formar os Centros Acadêmicos, inclusive já existe um CA de comunicação social. O que você acha dessa atitude?
Igor Normando: Acho formidável! Essa iniciativa já devia ser tomada faz tempo. Inclusive me deixo à disposição para ajudar no que for preciso! Aliás, deveríamos ter formado primeiro os CA's para depois fundarmos o DCE, isso daria sustentabilidade política para o Diretório.


Flávia Dias:
Apesar desses pequenos conflitos de ausência do diretório central que levou os estudantes a formarem um centro acadêmico, como você vê a possível relação entre as duas entidades?
Igor Normando: Acho natural com a criação dos Centros uma nova eleição para o DCE, onde quero participar como voluntário. Acho que esses estudantes estão com todo o gás e merecem ir adiante à luta que estão travando! Quero poder ajudar sempre.

Flávia Dias: Você tem alguma pretensão futura de retornar ao Diretório Central dos Estudantes ou de até mesmo integrar no Centro Acadêmico de Direito?
Igor Normando: Não. Já cheguei onde tinha que chegar dentro do Movimento Estudantil. Fui presidente de Grêmio e Diretor da Entidade dos Estudantes Secundaristas no Ensino Médio, organizei as passeatas por um ensino de qualidade que reuniu cerca de três mil estudantes nas ruas, fui delegado no congresso da UNE de 2007 e cheguei a Vice-presidência da maior entidade que representa todos os estudantes do estado do Pará. Se tiver algo dentro do Movimento que teria vontade de ter como plano futuro era ser da UNE, mas pretendo ajudar sempre, continuo acreditando no Movimento Estudantil e na sua força!
Sempre estarei metido nas eleições, seja na FAP, na UNE, em Belém ou, até mesmo, no Brasil. Política é um vicio e quando se gosta não tem como largar! Quero poder militar sempre!

Entrevista com Bruno Carachesti

Bruno Carachesti (22), presidente do Centro Acadêmico de Comunicação da Faculdade do Pará, estudante do 4º semestre de graduação em Jornalismo da FAP.

Flávia Dias: Bruno, você foi quem “idealizou” o Centro Acadêmico dentro da Faculdade do Pará fazendo reuniões para debater o tema e tentando mobilizar os alunos nesse movimento. Como surgiu isso pela necessidade ou pura idealização?
Bruno Carachesti: Assim surgiu pela necessidade mesmo que eu senti em relação á faculdade, das deficiências. Fui Plantando isso na cabeça de amigos e tudo. Que precisamos ter uma boa representatividade na sociedade e no nosso curso e acredito que não existe movimento sem mobilização para uma melhoria de educação e uma educação de qualidade.

Flávia Dias: Que tipo de necessidades os cursos, por exemplo, de comunicação social têm?
Bruno Carachesti: A gente tem muita necessidade de centros de debates entre alunos, espaços para exposições de produtos e experimentação.

Flávia Dias: Você acha que essas necessidades existem devido à ausência da coordenação, ausência do Diretório Central dos Estudantes ou falta de interesse e cobrança dos alunos?
Bruno Carachesti: Existe uma falta de interesse e cobrança dos alunos, pois o diretório só funciona com isso. Falta organização desses alunos.

Flávia Dias: A formação provisória do CA de comunicação tem alguma relação positiva ou negativa com o DCE?
Bruno Carachesti: A gente pretende que seja positiva até porque são os estudantes. É necessário para a construção de que caminhemos juntos. Só que o CA é autônomo e independente de uma boa relação com o DCE positiva ou não, ele vai existir.

Flávia Dias: Um grupo de alunos está se organizando e fundou uma comissão pró-DCE. Você acha que isso pode influenciar na formação ou no desenvolvimento dos Centros Acadêmicos? De que forma?
Bruno Carachesti: Sim. Acho que pode influenciar. Até porque foi um movimento espontâneo e a necessidade de ter um DCE era anterior ao incentivo da direção acadêmica. E a formação dos Centros Acadêmicos é também um movimento espontâneo, além de ser especifico porque cada centro acadêmico sabe as necessidades do seu curso e o DCE pode ajudar nas conquistas.

Flávia Dias: Como o CA de comunicação pretende atuar?
Bruno Carachesti: A gente pretende atuar da forma mais democrática possível, promovendo atividades de integração entre os alunos e atividades de transformação da visão do futuro profissional no mercado de trabalho.